Uma entrevista com o cineasta
Francesco Rosi sobre seu magnifico filme de 1970, um filme realista e sincero sobre as
atrocidades da 1ª Guerra Mundial, a partir dos desencontros e injustiças de
comando por parte de um General obtuso e desumano, lembrando de certa maneira a
história contada por "Ermanno Olmi em seu último filme Tornerano i
Pratti". No set (montanhas Iugoslavas), dois grandes atores italianos se
enfrentam: Alain Cuny e Gian Maria Volontè.
O titulo Accatone representa aqueles que catam coisas pela
rua, vivem no subúrbio das grandes cidades, no caso de Accatone a cidade é
Roma nos quarteirões dos bairros: Casilina, PonteSant
'angel,águaSanta,viaManutius, Ponte
Testaccio, Via Portuensis, Via AppiaAntica, Via Baccina, Centocelle, a Marranella, o município Pignetogórdio e Subiaco.
Sem esperança alguma de mudar de vida, esses desvalidos e
abandonados sobrevivem de freges, embustes e furtos nos arredores da grande
cidade italiana que serve de trincheira para eles.
O filme é de 1961, Fellini ao recusar o projeto permitiu que
Pasolini realizasse sua grande e primeira obra de magnitude social. Como cerne da
narrativa Pasolini se utilizou do Neo-Realismo, se serve desse estilo entre
outras coisas ao fazer a escolha dos atores entre aqueles que viviam à margem da
sociedade italiana, pois eles não teriam quem os representasse melhor do que
eles mesmos, assim o filme conta com atores não profissionais sob a batuta de
um cineasta estreante na arte de dirigir.
Uma
equipe bem pequena foi montada por Pasolini que queria uma fotografia com
enquadramentos bem fechados, para criar uma relação bem intimista com as
personagens, Accattone foi um filme realizado antes de tudo pelo engajamento de
todos, por amor e entusiasmo pelo cinema, dentre a equipe encontra-se o jovem de 20 anos a
época, BernardoBertoluccicomo (assistente de direção)
A música escolhida é a clássica, Bah.
Obra-prima dospaghetti westerns: O Grande Silencio de Sergio Corbucci.
Uma
obra-primado cinema italiano da década de 60, um dos melhoresspaghetti westernsjá realizados, contundente no seu estilo niilistae pessimista, cujo autor maior é Sérgio Corbucci. Corbucci orquestrou uma atmosferade situações envolvente e inesquecível combinando com o silencio das geladas montanhas e o olhar frio e penetrante de Trintignant, que cavalgando sob a gélida neve que lhe cai sobre o rosto contrasta com o calor do interior dos salons
e das casas de fogões acesos e chaminés fumegantes. Naquela época de pioneiros sem aquecimento distribuído pelo governo a cozinha é o lugar das casas onde todos se reunem em busca do calor dos forninhos a lenha, e é ali que acontece uma das cenas mais fortes de KlausKinski no filme, em pé na porta com a neve caindo sobre ele e de fundo a
magistral música de Ennio Morriconecom
seus violinos. Um elenco formidável: Frank Wolf, Vonetta McGee, Luigi Pistilli,
Marisa Merlini, Klaus Kinski e Jean-Louis Trintignant.
Neste novo filme Olmi acompanha durante sete semanas de filmagem, nos mais altos picos entre as cidades italianas de Asiago, onde o diretor viveu nos anos 60 e em Vicenza, dois soldados confinados no front Nordeste durante a 1 ª Guerra no ano de 1917. É a história da desobediência de dois soldados a um comando superior importante, de recusa em avançar sobre um alvo que está sob sua observação. Um deles, simples soldado sem patente e o outro de alta patente, que a partir dessa desobediência passa a coexistir com a própria consciência e moral sobre sua conduta e às exigências da própria estratégia da guerra. O recado de Olmi neste filme parece ser de que devemos dizer “não” a guerra. O filme tem como atores Alessandro Sperdute e Claudio Santamaria, foi produzido pela Cinema Undici, Ipotesi Cinema e Rai Cinema e o roteiro é do próprio Olmi. No Brasil o filme mais conhecido de Ermanno Olmi é Arvore Dos Tamancos, Versátil Home Video. O tema pode parecer com aquele explorado por francesco Rosi em "Uomini contro, contudo são histórias contadas de maneira bem diferentes, ambos ricos em criatividade. Ermano Olmi nasceu em Bergamo e ainda criança se mudou com a mãe para Treviglio, no alto Adge, sua mãe era operária e seu pai ferroviário, foi criado pela mãe, pois seu pai morreu na 2ª guerra, Ermanno Olmi possui uma profunda religiosidade na fé católica, o que de certa forma influenciou a escolha de seus temas em torno da vida cotidiana do povo italiano, em especial aqueles do campo, das cidadezinhas rurais da Itália, como pode ser visto em "I Recuperanti" (1970) e em "A Arvore dos tamancos" (1978), Palma d'oro no 31º Festival de Cannes, A partir de 1953, mesmo com o pouco conhecimento sobre como se fazer um filme, realizou dezenas de documentários, dentre eles "La diga sul ghiacciaio, Tre fili fino a Milano" (1958). Nos próximos oito anos se seguiram outros quarenta realizados, a maioria com tema sobre a condição em que trabalhavam os operários de empresas na Itália.
Sinopse:A vida de uma rica família burguesa de Milão e totalmente desestruturada com a visita misteriosa de um jovem que se hospeda em sua casa. Após seduzir a empregada, a mãe, o filho, a filha e por último o pai, ele parte sem dar maiores explicações, deixando um vazio na existência de cada um. Além disto um contato intelectual com todos, convencendo-os da futilidade da existência, e após cumprir seu objetivo ninguém da família consegue continuar vivendo da mesma forma, sendo que cada um deles toma um caminho diferente: a mãe se entrega ao primeiro que surge, a empregada passa a levitar, o filho pinta quadros que suja com fezes, a filha se torna uma catatônica e o pai, um rico empresário, abandona sua fábrica, se desnuda em plena estação ferroviária de Milão e desaparece no deserto.
Título Original: Teorema
direção: Pier Paolo Pasolini
Elenco: Silvana Mangano, Terence Stamp , Massimo Girotti , Anne Wiazemsky , Laura Betti
Região: 4
*Brasil, Austrália, Nova Zelândia, México, América Central, América Do Sul
Ano De Produção: 1968
País De Produção: Italia
Gênero: Cinema Europeu
Duração: 94 Minutos
Formato De Tela: Letterbox
Sistema De Cor: Colorido
Idioma Original: Italiano
Escritor por vocação, fotógrafo por idealismo, comunicólogo por formação acadêmica e amante da sociologia. Estudei Comunicação Social, Publicidade e Propaganda na Universidade Paulista e Ciências Sociais na Università La Sapienza, tenho experiência profissional e pesquisas no âmbito da fotografia, vídeo e cinema. Entre meus trabalhos dou destaque ao livro “Footing Sorocabano - a fotografia entre 1886 e 1957” - a pegada humana sobre uma cidade revelada pela imagem do trabalho e da urbanidade de seu povo, e ao livro “Filmes que Projetaram a Identidade Italiana no Cinema – O melhor do cinema italiano” - uma laboriosa análise da cinegrafia de um grupo de bem-sucedidos cineastas de Fellini a Sorrentino. Também escrevi, dirigi e editei dois filmes, cujo título principal é ESTIGMa, uma experiência voluntária de três anos num campus do REUNI, criando iconografia e que redundou em estudos do trabalho e suas múltiplas formas na realização do indivíduo como ser humano e o seu revés no aprisionamento de sua consciência crítica. Após todos esses anos, ao analisar meus textos e imagens descobri que me realizo sobretudo, como editor, seja no âmbito da escrita que no da imagem.